Carta à Toulouse-Lautrec

Querido amigo,

Não me lembro mais em que dia estávamos quando me deparei com o seu nome num livro na estante de casa. Lembro-me apenas que era uma tarde quente de primavera querendo transformar-se em verão, tal qual as cores estampadas em seus desenhos.

Naquele momento algo mudou em mim, iluminou meu semblante tão cansado dos anos de faculdade e trabalho. Talvez porque aqueles tenham sido os traços preferidos da juventude de meu pai. Talvez porque tenham sido um dos primeiros desenhos coloridos que vi na infância. Não sei…só sei que fui à sua busca, e me encontrei em cada uma das mulheres das suas obras. Me identifiquei com cada situação de rejeição que passaste, com a pressão da sua família aristocrata, com os nãos recebidos pelos defensores da Arte Clássica e das boas maneiras, com o preconceito sofrido por parte de uma sociedade hipócrita e cega.

Me inspirei em sua perseverança e vontade descomunal de triunfar. Reconheci a sua nobreza e grandeza nas adversidades, independentemente dos seus vícios e tropeços.

Nunca soube aonde esta febre me traria. Em meio à tantas incertezas, medos, falta de apoio e recursos, só sabia que não poderia desistir até trazê-lo de alguma maneira.

Nunca imaginei aonde eu teria que vir e o que teria que passar, nem de que maneira.  Por isso hoje te escrevo, para te agradecer.

Gracias por me trazer a terras tão distantes, por caminhos novos, por me obrigar a me encontrar com partes desconhecidas de mim mesma refletidas em cada pessoa com quem cruzei pelo caminho.

Gracias pela inspiração, pela presença doce, pelo sorriso. Gracias por servir de inspiração para que eu pudesse superar meus limites e medos.

Gracias porque hoje eu sou um ser humano muito melhor por ter ido à sua busca.

É uma Honra poder te trazer de volta- ser o teu corpo ainda que por instantes fugazes sob as luzes da ribalta. A minha vida nunca mais será a mesma… e esse é apenas o início de um caminho cheio de aventuras, o qual eu não tenho a menor ideia de como será.

Mas não importa, contanto que estejamos juntos e a sua Arte e história continuem a servir de inspiração para centenas de pessoas pelo mundo afora.

Gracias Lautrec! Gracias!

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Céu de Galeano

Algo curioso aconteceu- ontem iniciei este post ao receber um vídeo de uma lenda guarani que me remeteu a um texto do Eduardo Galeano, e hoje, surpreendentemente recebo a notícia de que ele se foi.

Cresci próximo à região Missioneira no Rio Grande do Sul. Tenho sangue guarani correndo em minhas veias, mas o fato de estar no Chile, quiçá por conviver tão próxima a hermanos de outras querências, quiçá pela língua, não sei, me faz sentir parte pulsante, viva do que chamamos de América Latina.

Un hombre del pueblo de Neguá, en la costa de Colombia, pudo subir al alto cielo.

A la vuelta contó. Dijo que había contemplado desde arriba, la vida humana.

Y dijo que somos un mar de fueguitos.

-El mundo es eso -reveló- un montón de gente, un mar de fueguitos.

Cada persona brilla con luz propia entre todas las demás.

No hay dos fuegos iguales. Hay fuegos grandes y fuegos chicos y fuegos de todos los colores. Hay gente de fuego sereno, que ni se entera del viento, y gente de fuego loco que llena el aire de chispas. Algunos fuegos, fuegos bobos, no alumbran ni queman; pero otros arden la vida con tanta pasión que no se puede mirarlos sin parpadear, y quien se acerca se enciende.

Fica aqui registrada a minha humilde reverência a este talento que sonhou com um mundo diferente, que lutou pelos povos indígenas, pelos pobres, pela América Latina e inspirou milhares de pessoas a continuar sonhando também.

Que este “fueguito” que se apagou aqui na terra, continue queimando forte, iluminando o nosso céu- o Céu de Galeano!

Gracias Galeano, Gracias!

Vidas Paralelas

Horas de ateliê observando cada centímetro, cada ruga, cada poro da sua pele. Dias a fio observando as proporções, as formas, as assimetrias de seu rosto, as pálpebras caídas, a expressão dos olhos e lábios, o esboço de um sorriso.

E assim, quase sem perceber, por caminhos completamente desconhecidos e não imaginados, me pego fazendo o que movia Lautrec, o que ele fazia de melhor: observar!

Uma sucessão de coincidências-  me vejo num ateliê cheio de artistas de lugares os mais diversos, tal qual o ateliê Cormon no qual ele estudou quando chegou em Paris. Ele passava horas flanando pelas ruas de Paris, interessado pelo brilho de um fio de cabelo ruivo, pelo dorso de uma atriz no palco, pelas formas, texturas, cores e cheiros das peles. Interessava-se pelas pessoas. Dizem que era capaz de ir à mesma peça de teatro mais de 30 vezes, somente para poder terminar um desenho. Eu, ao invés dos Boulevards e ruellas de Paris, me vejo flanando e observando as formas dos rostos e corpos pelas calles de Santiago. Até mesmo o copo de conhaque habitual, troco pelo bom vinho chileno e a boemia de Montmartre pela boemia latina.

Ele, nos últimos anos de vida, com a minha idade. Eu, com a sua idade, iniciando uma nova vida.

E se Einstein e Heisenberg* estiverem certos e o tempo e espaço de fato não existirem? Não tal como acreditamos…

…we, physicists, believe the separation between past, present, and future is only an illusion, although a convincing one.
Albert Einstein

E se Einstein não tiver desenvolvido uma teoria, mas tenha de fato atingido uma compreensão tão bombástica e reveladora acerca da realidade que nossa lógica seja incapaz de senti-la e por isso a registremos apenas como uma teoria?

Quiçá nunca teremos uma reposta, mas de uma coisa tenho certeza: meu encontro com Lautrec não se deu pelos livros, nem escrevendo o projeto e a peça, mas nas curvas dos traços formados com um lápis no papel cartão, na argila molhada nas pontas dos dedos, na vida palpitante das ruas, no sabor amadeirado de um gole de vinho na boca.

http://www.tardyon.de/mink.htm

http://www.tardyon.de/heisen.htm

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A Arte de Pesquisar

Quando não aceitamos os rótulos impostos pelos outros, nem pelas circunstâncias e não paramos de buscar, aceitando de nos perder sem ter todas as respostas, por vezes a vida nos sorri e abre janelas para lugares antes inimagináveis.

Ainda estudante de canto lírico ouvi que eu era uma atriz. Fui em busca e quando pensava ter me descoberto atriz, confirmaram que eu era cantora. Flertei com o palhaço em mim,e disseram que eu era uma performer. Cansada de rótulos, mas incansável em minha pesquisa e busca, convivi com bailarinos  e hoje iniciei meu caminho pelas artes plásticas- na confecção de bonecos!

Que bela viagem! Mas há que se ter humildade estando ao lado de artistas tão talentosos e experientes!

Fazer uma marionete não é apenas fazer um boneco, mas antes de tudo estudar e observar as proporções e estruturas que compõe o corpo humano, moldar, desenhar, costurar, esculpir em argila, em termoplástico, com fotografias, pintar, manipular, compor, errar, voltar, respirar, olhar, recomeçar…

Quanto mais me arrisco, mais percebo que não há limites, nem barreiras entre as Artes. Basta estar aberto nessa busca incessante. Basta pesquisar, sem querer controlar os resultados.

Nesta viagem que apenas começou conheci o trabalho deste brasileiro incrível radicado há muito na Holanda: Duda Paiva!

Gracias!

Ojalá a Vida continue sendo sempre nosso maior Laboratório!

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Outono em Santiago

Ontem caminhando pela larga Alameda Bernardo O’Higgins, uma das principais avenidas de Santiago, uma enorme folha de plátano voou no meu rosto, trazida por um vento fresco que refrescava a tarde quente. Uma folha de plátano- o outono chegou!

No Brasil, ao menos em São Paulo, não sentimos as mudanças de estação com clareza, porque temos todas elas num mesmo dia. Fato é que as estações existem para que possamos experimentar ritmos diferentes  e nos preparar para as mudanças. O Outono é a estação do desapego. Secar, deixar o vento levar o que não seve mais e preparar-se para o silêncio do inverno, o recolhimento que antecede a vida que renascerá em todo o seu esplendor novamente com a primavera.

Santiago acolhe, permite que o visitante possa respirar com a cidade, o convida a caminhar no seu ritmo.  Fazer um piquenique numa praça com amigos no final da tarde, flanar pelas longas alamedas arborizadas, receber sorrisos cúmplices pelo caminho…faz parte do dia-a-dia da cidade.

Estar em Santiago no início do outono é permitir-se respirar num outro ritmo, o da natureza.

Gracias Santiago!

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Primeiro Dia do Laboratório!

Vozes, identidades, línguas do mundo inteiro. Fazer parte de um grupo de artistas tão íntegros, tão distintos e tão talentosos à sua maneira é uma Honra e um privilégio. Um time de experts e muito trabalho pela frente.

Manipular um boneco pela primeira vez é uma experiência única! Os bons manipuladores são os que conseguem dissociar o seu corpo, as suas expressões faciais e a sua presença da do boneco.Os bons manipuladores são os que ficam invisíveis aos olhos da plateia, porque nossa atenção está somente sobre o boneco. É um ato de generosidade imenso- dar a sua energia para que o boneco ganhe a atenção e não você. Um outro tipo de teatro- que quando bem feito é mágico.

O conselho da Mestra Natacha Belova: ” Não poupem o que vocês tem de melhor! Compartilhem com os outros e o Universo vai preenchê-los com mais. Abram-se ao novo. Aceitem de perder o que estava certo, para que a mágica aconteça”

Manipulação2-dia02

Manipulaçãodia2

Só tenho uma palavra: Gracias!

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Climb every mountain!

Nesta madrugada com um sorriso no rosto e a Alma lavada terminei uma apresentação cantando Climb Every Mountain para um público querido, daqueles cuja atenção e presença aquecem o coração do artista!

Poucas horas depois …

Climb every mountain,
Search high and low,
Follow every byway,
Every path you know.

Climb every mountain,
Ford every stream,
Follow every rainbow,
‘Till you find your dream.

A dream that will need
All the love you can give,
Every day of your life
For as long as you live.

Climb every mountain,
Ford every stream,
Follow every rainbow,
Till you find your dream

A dream that will need
All the love you can give,
Every day of your life,
For as long as you live.

Climb every mountain,
Ford every stream,
Follow every rainbow,
Till you find your dream.

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